Enquete 441- Representante indicado para o idoso

 

Cada vez mais haverá idosos debilitados com doenças crônicas múltiplas e disfunção cognitiva exigindo tomadas de decisão por representantes, especialmente em situações de alto risco de intervenções e de terminalidade da vida.

Em geral, a seleção do representante é uma decisão de família e até, a indicação muitas vezes acontece a posteriori da incapacidade do paciente em ausência de prévia demonstração de preferência. Não infrequentemente, observa-se uma família com seus membros exibindo enorme dificuldade de assumir responsabilidades como em situações de recomendação médica para suspensão de tratamento e aplicação de cuidados  paliativos.

Há evidências que quando há uma pessoa indicada que de fato assume a representação, ela é eficiente na representação e demonstra capacidade para tomar decisões razoáveis.

Na sua opinião o médico deve estimular famílias de idosos a discutirem entre si o tema e se organizarem para a eventualidade da representação?

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Enquete 440- Direitos dos robôs

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Crédito: http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/bioethics/sv0/news/unesco_science_experts_explore_robots_rights/

Segundo a UNESCO, o rápido desenvolvimento de robôs altamente inteligentes e com autonomia deverá desafiar a classificação atual dos seres de acordo com o seu status moral, algo semelhante ao observado em movimentos pelos direitos dos animais. Embora programado pelo homem, o robô poderá desenvolver superações que exigirão reflexão e atenção éticas.  http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/themes/bioethics/sv0/news/unesco_science_experts_explore_robots_rights/

Você concorda que deve existir um código de programação de robôs para evitar danos ligados a autonomia dos mesmos?

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Enquete 439- Crimes em territórios da Saúde

Notícia 1- As áreas de saúde e educação foram alvo de quase 70% dos esquemas de corrupção e fraude desvendados em operações policiais e de fiscalização do uso de verba federal pelos municípios nos últimos 13 anos. http://noticias.r7.com/brasil/70-dos-desvios-nas-cidades-afetam-saude-e-educacao-25122016

Notícia 2- Dois jovens  entraram sem despertar  atenção dos controladores de acesso passando-se por clientes em um posto da Unidade de Pronto Atendimento 24 horas no estado de São Paulo e roubaram objetos de pacientes e de funcionários. http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2016/12/bandidos-fingem-ser-pacientes-para-assaltar-posto-de-saude-em-sp-video.html

Na sua opinião, as duas notícias sobre crimes atestam um círculo vicioso de degradação moral da nossa sociedade?

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326- Bioética e pensamento de complexidade

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O pensador de François-Auguste-René Rodin (1840-1917)

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Hipócrates (460ac-370 ac)

 

São mais de duas dezenas de séculos desde Hipócrates. Nestes cerca de 900 mil dias, o exercício da Medicina foi mudando com maior ou menor aceleração. Desenvolveram-se o diagnóstico, a terapêutica e a prevenção até como praticamos atualmente. A pesquisa sistematizada veio sustentar a assistência. O idiopático, o criptogenético e o essencial ganharam explicações. Médico e paciente ampliaram as mútuas conexões. Sistemas de saúde se desenvolveram e intermediários proliferaram. Deveres e direitos foram definidos. Certos atos médicos praticados em determinados países são proibidos em outros.

Hipócrates teve uma vivência profissional individualizada. Pioneiro, ele contestou a simplicidade da causa divina e desenvolveu pensamentos então complexos entre observações realísticas e manifestações de criatividade. Ele sacou o valor da continuidade profissional tal qual uma herança de pai para filho e do sigilo para evitar o constrangimento por revelações.

Subsequentes experiências profissionais geograficamente restritas, aqui e ali, passaram de geração para geração, foram aos poucos expandindo para outros territórios, até ganhar, num salto histórico, expressão da experiência globalizada em publicações em revistas num vai-e-vem de recepção de manuscritos e de expedição a assinantes. Filtros editorais tornaram-se avalistas de qualidade científica. Mais recentemente, a Medicina baseada em evidências projetou  premissas de aplicação ética e, via diretrizes, reduziu a importância das chamadas Escolas ligadas a professores e a Serviços e as substituiu por padrões de tomadas de decisão subscritas por Sociedades de especialidades. “Aplico diretrizes para dormir tranquilo” é comentário ouvido que ilustra a dimensão do impacto das mesmas na prática profissional.

Não há dúvida que em meio a crescentes complexidades técnico-científicas, as bases para o juízo crítico clínico ficaram facilitadas pela organização em diretrizes clínicas, inclusive por meio de atualizações frequentes. Cada nova edição suscita a sensação de um passo adiante na prestação de serviço ao paciente – “agora será melhor”. A experiência pessoal é desafiada a se submeter a certas revisões e, ao mesmo tempo, ela serve de norte para análise de divergências entre diretrizes de diferentes Sociedades.

Todavia, nem por isso, este auxílio de varredura da literatura e de sistematização de níveis de utilidade e de eficácia simplificou de fato o exercício da Medicina. Pelo contrário, a Medicina persiste complexa. Aliás, ela nunca deixou- nem deixará- de ser desde Hipócrates. Cada manobra de simplificação por mais bem-vinda que seja, tem o alto potencial de se desdobrar numa rede de interdependências que inclui novos desafios. Por menores que possam se situar numa escala de visão do médico, eles são enormes para o paciente, como o claustrofóbico instado a se submeter a uma ressonância magnética.

O desenvolvimento de várias especialidades atesta o desdobramento da complexidade. A busca de certezas em genes pela Medicina personalizada assim confirma. O “carimbo” omeprazol é prova e ele em si associa-se a evidências preocupantes. As bulas, então, contém palavras que provocam comportamento do paciente distinto ao do sugerido na frente do médico que também verbalizou certas advertências e as consequências do niilismo.

Aliás, é “simples” compreender a complexidade em Medicina. Ela está na inter-relação entre o conhecido e o desconhecido e na realidade que cada “novo conhecido” para um ser humano aplicar em outro ser humano desdobra-se qual ramos de uma árvore frondosa em novos desconhecidos. É clássico que a Medicina não pode prometer resultados- que são as certezas-, ela os almeja sustentada pelo empenho, mas a ocorrência de insucessos e de adversidades nunca podem ser desconsiderados.

De uma complexidade hipocrática baseada no desconhecido “absoluto”, a Medicina caminhou para o estágio atual de complexidade ditada por novos desconhecidos – associados à velha imprevisibilidade- da aplicação do novos conhecidos- como translações de pesquisas recentes e inovações tecnológicas de ponta.

As interfaces do aqui (disponível) e agora (atualizado) entre conhecido e desconhecido determinam o pensamento sobre complexidade do médico que possui um número de CRM ativo. Há vários compartimentos a serem percorridos pelos cerca de 500 mil médicos brasileiros. Na pesquisa, eles incluem transitar pela concepção que melhor possa preencher uma lacuna da beira do leito e na assistência, eles incluem  direcionar métodos em função de necessidades de resultados.

A Bioética insere-se no pensamento multi-desdobrante de complexidade.  A chamada Bioética principialista ajusta-se e coopera para que conhecidos e desconhecidos possam ser mais adequadamente reconhecidos na conexão médico/pesquisador-paciente/voluntário de pesquisa em duas mãos de direção.

Entendo que ponto de destaque do pensamento de complexidade deste início de século XXI é o ritual do consentimento pelo paciente. É para ele que convergem o conhecimento – benefício e segurança idealizados pelo médico/pesquisador segundo o estado da arte, a Ética e a legalidade- para o encontro com a revelação de desconhecimentos- do que o paciente não sabe como possibilidades de atuação e evolução clínica e do que o médico/pesquisador não sabe como desejos, preferências, valores e objetivos do paciente/voluntário de pesquisa. Matérias-prima para contraposições mais ou menos resolvíveis, sendo que as que ultrapassam um “sarrafo de complexidade”, são estimuladoras da cooperação da Bioética.

Assim sendo, o desenvolvimento de um atual pensamento de complexidade, herdeiro do clássico raciocínio clínico sustentado pelos órgãos dos sentidos e visivelmente encorpado pela antropotecnologia cada vez mais presente, é tanto mais respeitoso ao paciente/voluntário de pesquisa quanto mais se destaca como um processo preocupado com a construção de esclarecimentos que sustentam a adesão irrestrita ou com recomposições possíveis.

Por este conceito de complexidade, verifica-se que o sim ou o não que é emitido pelo paciente/voluntário de pesquisa ao médico/pesquisador, representa na verdade consentimento- ou não- ao validado pela Medicina da atualidade. Esta noção tem importante implicação ética: prudência e zelo na Medicina contemporânea incluem uma visão crítica e dinâmica da responsabilidade moral da sua missão.

 

Enquete 438- Consentimento do paciente para complicações pós-operatórias

Tipos de complicações pós-operatórias possíveis e condutas decorrentes inclusive de suporte a risco de morte não nem sempre são discutidas por ocasião do consentimento no pré-operatório. Em decorrência, desejos e preferências do paciente a respeito de cuidados com complicações pós-operatórias ficam sem oportunidade de discussão médico-paciente/família.

Artigo recente de autoria combinada entre Departamento de cirurgia e Centro de Bioética concluiu que pacientes implicitamente confiam no cirurgião para tomar condutas em complicações pós-operatórias. Embora os pacientes demonstrem adesão a certas intervenções pós-operatórias, há uma gama de preferências sobre limitações de conduta que não são discutidas com o cirurgião no pós-operatório. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28009732

Na sua opinião, complicações pós-operatórias graves exigem consentimento do paciente para as condutas indicadas?

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Enquete 437- Doula fator de humanização do parto?

A notícia é do Estadão http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,haddad-libera-presenca-de-doulas-no-sus,10000096308: 

O prefeito de São Paulo  sancionou lei  que libera a presença de doulas em maternidades e estabelecimentos de saúde da rede municipal e também em hospitais privados, desde que contratados pela Prefeitura. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 25% das mulheres que dão a luz na rede pública relatam algum tipo de violência na hora do parto. “Nós já ampliamos de 60% para 72% o índice de partos realizados com a presença de enfermeiros e obstetrizes em nossas unidades. A doula é uma personagem a mais para dar suporte à mulher e garantir que o parto seja de fato humanizado”, disse.

Você concorda com a justificativa a doula é uma personagem a mais para dar suporte à mulher e garantir que o parto seja de fato humanizado?

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Enquete 436- O que deve contar?

O médico recebe telefonema da esposa antecedendo à consulta do marido por ela marcada. A informação revelada pela mulher- que o médico não conhece- não é exposta pelo paciente, que, inclusive nega na anamnese dirigida. Antecedentes e exame físico não permitem analisar a (não) informação.

Na sua opinião, o médico deve pautar a conduta

  • Ignorando a informação telefônica, assim privilegiando a anamnese (0%, 0 Votes)
  • Considerando a informação telefônica apesar das palavras do paciente (0%, 0 Votes)
  • Depende da gravidade da informação atribuída pelo médico (0%, 0 Votes)

Total de Respostas: 0

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Enquete 435- Terminalidade da vida e recém-nato

Em avaliações sobre terminalidade da vida para neonatos extremamente frágeis, a decisão dos pais de manter o tratamento de sustentação da vida, em oposição a um posicionamento médico, não raro determina a sobrevida da criança https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27852667.  Quando médico e pais concordam a sobrevida é exceção.

Na sua opinião, estas observações reforçam o valor do consentimento pelos pais?

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325- Bioética veterinária

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Crédito: http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-se-explica-a-rivalidade-entre-caes-e-gatos/

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A atual interação família humana-animal tornou inaplicável antigos significados. É o caso da imagem negativa do cão em leva vida de cachorro e na ligação ao demônio e ao canalha e da do gato como traiçoeiro e associado a superstições. Ponto marcante da sociabilidade foi a decisão de permissão pelos Shoppings da entrada de cão acompanhado do dono, onde, expressões afetivas podem ser testemunhadas, como dar café em xícara na boca.

Os dados do Brasil impressionam. Há mais animais de estimação do que crianças,  a população de cães e gatos vivendo em domicílios está no podium do mundo, existem disponíveis mais de 200 cursos de Medicina Veterinária e há mais de 100 mil veterinários atuantes.

Este “pertencimento familiar” traz uma série de pensamentos, comportamentos e normatizações. Faz desejável uma estrutura multidisciplinar e interdisciplinar para cooperar com decisões concernentes, como a Bioética. Com satisfação verifico que em abril de 2017 ocorrerá o IV Congresso Brasileiro de Bioética e Bem-estar Animal visando discussões sobre “evolução da ciência, melhor interação homem/animal e relação com a natureza”.

Na década de 90 do século passado, Antonio Rogerio Magri (nascido em 1940) usou o carro oficial de ministro do Trabalho e da Previdência  do governo Fernando Collor de Mello para levar seu animal de estimação ao veterinário. Flagrado no desvio de finalidade pública, fez a estranha declaração que entrou para a história: “A cachorra é um ser humano, e eu não hesitei”. O afeto sobressaíra a sistematizações sobre o reino animal.

Em várias cidades do Brasil de hoje, milhares de cães e gatos são levados ao veterinário em carros particulares dos donos, raramente por transporte público, num status de “humana consideração” com saúde e bem-estar dos animais. Centros modernos reúnem assistência médica clínica e cirúrgica, internação, day care, vacinação, odontologia, fisioterapia, hotelaria, farmácia, banho e tosa. A vida de cão repaginada.

A crescente inclusão de animais domésticos na vida familiar com analogias a apreciações morais da sociedade em geral, preocupação com moradia, nutrição, reprodução, assistência ambulatorial e hospitalar, pesquisa científica na busca de evidências de benefícios e não malefícios, evitação de sofrimento, exploração e crueldade e relações com o meio ambiente  acontece com implicações de ordem legal e financeira. Olhares críticos não faltam, como o verbalizado pelo Papa Francisco : “… Precisamos não confundir a piedade com a comiseração, que consiste só em uma emoção superficial, que não se preocupa com o outro… Não se pode entender a compaixão com os animais, gente que cuida de gatos e de cães e fica indiferente perante o sofrimento do próximo, deixa sem ajuda o vizinho que passa fome…” http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/05/14/ha-quem-sente-compaixao-por-animais-mas-se-esquece-do-vizinho-diz-papa.htm.

Certamente, a Bioética veterinária é útil para acompanhar este olhar de equilíbrio entre interesses humanos em geral e interesses dos animais. Há muitos cenários de destaque da Bioética sobre animais domésticos em convivência familiar (Quadro). Eles são parte de um amplo espectro de interesses que inclui animais como alimento, como matéria prima para vestuário, como “trabalhador” – a figura do burro de carga em contraste com acompanhante de deficiente visual, vigia, “segurança” e rastreador de droga ilícita em aeroportos, como “sujeito” de pesquisa e de treinamento na área da saúde, como “esportista”- doping em corridas-, como “recreacionista”- em zoológicos e circos-, como ícone religioso- vaca sagrada na Índia-, como fonte ilegal de lucro – comércio de espécies em extinção-, como objeto de preservação da vida selvagem e preservação ecológica, bem como partícipes de novidades científicas como clonagem e doação de órgão para transplante em humano.

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O humorista e escritor estadunidense Samuel Langhorne Clemens, o Mark Twain (1835-1910) deixou para a história: Se você adota um cão faminto e o torna próspero, ele não o morderá. Esta é a principal diferença entre o cão e o homem. Profundo!

Enquete 434- Enfermeiro e eutanásia

O Brasil insere-se na maioria dos países que proíbe a eutanásia. Nos países que permitem, a prática é um ato médico. O Canadá, todavia, inovou. Na província de Alberta (princesa Louise Caroline Alberta, 1848-1939) enfermeiros devidamente treinados foram autorizados a se envolver diretamente com fármacos utilizados na eutanásia, administrar  no paciente autorizado ou  prover a auto-administração pelo paciente http://edmontonjournal.com/storyline/alberta-nurse-practitioners-authorized-to-provide-medical-assistance-in-dying.

Você concorda

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