248- Comités de Bioética representam a sociedade

comiteO Brasil precisa de Comités de Bioética. A beira do leito precisa de Comités de Bioética. A relação médico-paciente-instituição de saúde precisa de Comités de Bioética.

Eficiência, satisfação e fidelidade são atributos do atendimento às necessidades de saúde da população que requerem uma renovada cultura institucional com certos sustentos incluídos pela Bioética.

Processos rotineiros de atenção, mediações de conflitos e aperfeiçoamentos organizacionais em feedback com as realidades ganham qualidade quando há a participação de pensamentos de natureza bioética. A contribuição dos mesmos lança mão de valorizações de cunho humano no campo da interdisciplinaridade, do diálogo sempre em aberto, da melhor maneira de se conduzir numa determinada circunstância, da virtude da tolerância.

É universal a constatação que a falta de um suporte institucional, vale dizer carência de tempo a dedicar em função de acúmulo de funções, vesguices na hierarquização de recursos e desenvolvimento de conflitos de interesse na infra-estrutura dificultam a construção de rotas de interação entre profissionais da saúde da linha de frente, pacientes/familiares e gestores de maneira geral.

O Código de Ética Médica brasileiro vigente é claro a respeito da premissa que o alvo do exercício da Medicina é o paciente, que o prontuário a este pertence e que o consentimento é obrigatória manifestação da sua participação no processo de tomada de decisão.

Portanto, o paciente tem a palavra, verbal  e escrita, como expressão do respeito a sua condição humana, como vetor das coisas da doença e dos decorrentes pontos de vista nas interfaces com o médico e com a Medicina.

Sendo então a verbalização facilitada um ponto positivo da beira do leito, cabe aos Comités de Bioética estimular a emissão e a recepção da palavra pelo paciente/familiar, quer servindo de apoio – na rotina e na inovação- aos tradicionais canais de comunicação institucional com os usuários do sistema de saúde (ouvidoria, por exemplo), quer capilarizando seus fundamentos entre os profissionais atuantes na beira do leito, quer trabalhando como consultor, objetivando o gerenciamento de crises da beira do leito geradas por divergências nas interfaces entre médico, Medicina, paciente/familiar, instituição de saúde e sistema de saúde.

Pela missão de se esforçar pela conciliação das constantemente em evolução culturas da sociedade e das práticas da Medicina, os Comités de Bioética devem ser constituídos por representações diversificados, a fim de ampliar o alcance dos temas, usufruir da pluralidade de saberes e de sabedorias e fazer com que cada membro incorpore conhecimentos de outras áreas de atuação presentes no Comité.

Um eficiente  Comité de Bioética comporta-se qual um liquidificador que reúne vários pedaços disciplinares e produz uma homogeneização a mais amigável possível com multiplicidades de interesses.