Enquete 288- Ideias incessantes

Inovação técnico-científica, nova condução clínica, inédita tomada de decisão. Cada novidade provoca desdobramentos tanto previsíveis quanto impensados. Haverá sempre pontos futuros, até surpreendentes. Eles são naturalmente determinados pela enorme dimensão social da Medicina.

Um pensamento aqui,  uma ideia lá, uma concepção acolá no âmbito da Saúde. A eclosão em pluralidade exigindo um olhar integrado pelos princípios da Beneficência, Não maleficência (Segurança) e Autonomia. Assim nos ensina a História da Medicina contemporânea.

No contexto desta infinitude vem a notícia recente: Cresce a tendência de um combinado entre opção por suicídio assistido e doação dos órgãos para transplante, na Holanda e na Bélgica. Uma resolução autonômica apreciada como benéfica para si e para outrem, nestes países onde há anuência legal para a eutanásia ativa.

Argumentos favoráveis incluem a solidariedade de quem não deseja mais viver para quem não deseja morrer, o planejamento que favorece a viabilidade dos órgãos a serem retirados e o respeito à regra que a doação não representa a motivação para a própria morte. http://jme.bmj.com/content/early/2016/03/24/medethics-2015-102898.abstract. A chance de até um agradecimento pessoal. Imaginação e realidade compactuadas.

Se este “combo” já soa polêmico, um complemento da notícia traz preocupações. Ele se refere a um desdobramento mais avançado para o que denominaram de ‘heart-beating organ donation euthanasia’, onde o paciente após sedado não teria o cumprimento do chamado “no-touch time”, quando então seria submetido à retirada dos órgãos a serem doados, o que causaria, então a morte do paciente.

Suicídio assistido e doação de órgão é moralmente admissível?

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