Enquete 256- Cabe randomizar médicos numa pesquisa de eficiência?

dado

Crédito: http://lounge.obviousmag.org/do_zepelim/2015/07/mel-girassois-e-o-acaso-da-felicidade.html

Uma nova ideia para “corrigir” uma velha prática, “aposentar” um produto, aperfeiçoar um serviço ou atualizar uma política. Como uma supernova, ela traz aquele brilho nos olhos. Comumente, ela  tende a ser vista como moralmente endossável porque a visão do benefício costuma superar a da possibilidade de outros  malefícios- até piores- em relação ao praticado. A intenção pelo melhor é sempre bem-vinda pela esperança.

De fato, a bioeticista Michelle Meyer  apontou que  haveria mais suspeição moral sobre  uma prática existente do que sobre uma que está sendo proposta para amplo alcance, mesmo que ela seja fruto não testado da intuição http://ctlj.colorado.edu/wp-content/uploads/2015/08/Meyer-final.pdf

É curioso como mentalizar uma hora como “tão-somente” uma vigésima quarta parte de um dia. É consideração que ameniza a força do impacto de uma mudança de jornada de trabalho. Não acontece com todos, todavia. Por exemplo, com os que pensam que  reduzir horas de trabalho do Residente de Medicina é benéfica tanto para o médico quanto para o paciente. Haveria um quantum satis menor do que se  entendia preciso no meu tempo de aprendizado sob supervisão onde as paredes das enfermarias gigantes da Santa Casa  da rua Santa Luzia – tanta santa estimulando o sacerdócio médico- ecoavam que quem quisesse ser cobra  tinha que ser rato de hospital, camelar bastante, enfim ter uma dedicação canina para evitar zebras.

Uma construção zoológica talvez inspirada no carioca da gema jogo do bicho do Barão de Drummond que torna árduo qualquer cálculo sobre o número de horas “com relógio de ponto” para aprender no paciente e que traga o pretendido equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal. A dificuldade motiva muitas ideias, poucas certezas e um sem número de considerações éticas, legais e administrativas.

Claro, labutar menos agrada num primeiro contato como uma correção afinada como um nova mentalidade dos jovens médicos. Não é de hoje que excesso de trabalho estressante e carência de horas dormidas relaxantes têm sido apontados como “dupla do mal” responsável pela ocorrência de danos evitáveis no cuidado com pacientes. Continue lendo