202- Concordei com meu viés e não comigo próprio

DecisãoQuanto estará a cotação do dólar em relação ao real daqui a três meses? A maioria das pessoas responderá fazendo simplificações baseadas em juízos subjetivos de probabilidades e sob graus variáveis de influência de interesses.

Um importador poderá  prever um valor mais baixo do que um exportador, assim como um viajante habitual ao exterior em relação a quem não está pensando em usar a moeda estrangeira.

Atrás das diferenças estão as incertezas. Elas prejudicam a objetividade. Mesma mente pode entrar em conflito entre processos decisórios automáticos, intuitivos, com pouco esforço e inflexíveis  e  aqueles de uma resolução, mais elaborados e flexíveis. Suscetíveis violam desejos. Situações de torcida eclodem.

A beira do leito comunga incertezas. Probabilidades de resultado dependem de alinhamentos humanos, biológicos, tecnológicos, etc…, etc… O que será, será?

Eis o paciente. Sujeito a combinações de efeitos conjuntivos e disjuntivos. Instado a tomar uma decisão binária. Um sim ou um não sem perspectivas da marcha-a-ré após uma resseção cirúrgica ou de um rápido teste farmacológico-rascunho.

Conduzir-se como torcida, fiar-se no “Eu penso que…” pode ser humano. Não é adequado, todavia, para (não)consentir, (não)aderir, (não)persistir à recepção de métodos da ciência.

Em outras palavras, a relação médico-paciente admite previsões nebulosas-resoluções claras, em face à heterogeneidade possível de resultados.

As realidades da beira do leito acontecem com total, parcial ou nenhuma superposição ao previsto dominante. Em parte pela tecnociência inexata, em parte pelo intelecto diversificado. Caráter, personalidade e temperamento do paciente sustentam expectativas e comportamentos distintos em face a mesma perspectiva médica de resultado. Impulsivos e hesitantes são clássicos da beira do leito.

Frestas entre o realizado e o mentalizado no consentimento levantam questões como: Terá sido o consentimento corretamente fundamentado num exercício de  previsão no limite técnico das imprevisibilidades? Terá sido o consentimento indevidamente fundamentado num exercício de  previsão com equívoco técnico, como a desconsideração de uma morbidade influente no prognóstico? Terá sido o consentimento  adequadamente fundamentado num exercício de  previsão com  dados técnicos corretos,  mas sofreu influxos desviantes comuns em juízos elaborados sob incertezas, chamados de vieses cognitivos e heurísticas? Continue lendo