Enquete 235- Síndrome do Impostor. Você se reconhece?

Síndrome do Impostor refere-se a sentimentos de fraude intelectual, dúvidas sobre a própria capacidade profissional, que será tão logo desmascarado, que foi sorte o sucesso que obteve e assim não se repetirá, que o que fez “não foi nada de mais”, que persiste mesmo quando há informação de terceiros que a realidade é diferente. Associa-se mais frequentemente  a pessoas capacitadas e bem sucedidas que vivenciaram uma educação rígida, expectativas de “sempre sucesso”, rótulos de superioridade e de perfeição e, quando adulto, experimentam dúvidas sobre a percepção dos pais diante de tarefas desafiadoras. Ela foi descrita em 1978 em mulheres e depois estendida a ambos os gêneros.  Apesar da dificuldade de internalizar os sucessos obtidos, da sensação constante de fraude, o seu lado positivo é que contribui para a não ultrapassagem dos limites da real competência.  É possível que pessoas manifestem a síndrome numa determinada circunstância e não em outra.

Você tem a Síndrome do Impostor?

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205- O médico, o narcisismo benigno e a síndrome do impostor

SNVocê já vivenciou a dúvida de qual botão apertar no quadro perante uma nova tarefa? O verde ou o vermelho?

Convivendo com médicos há cinco décadas, observei que muitos hesitam, apertam o vermelho num primeiro momento e, só subsequentemente, dispõem-se a direcionar-se ao verde.

É como se houvesse uma fase de grande dúvida  com suposições de ser uma fraude intelectual, receios de ser “desmascarado”, a seguir superada pela irrupção da auto-imagem positiva que ficara momentaneamente encoberta por -admite-se- resquícios de uma cobrança por altas expectativas de sucesso pelos responsáveis pela educação durante a infância/adolescência.  Eu já me vi neste espelho.

Um exercício moral permanente do médico costuma estar embutido na dúvida: “… Estarei evitando males tanto quanto possível?…

A Não Maleficência intuída desde que Hipócrates (460ac-370ac) afastou a Medicina dos desígnios dos deuses pretendeu dar contornos humanos à Medicina: “… Se não puder fazer um bem, pelo menos não faça um mal…”.

Cada  progresso científico aplicado pelo médico para benefício do paciente carrega consigo o potencial de provocar algum tipo de mal. A segurança biológica para o paciente tornou-se pedágio obrigatório no caminho das estratégias diagnósticas e terapêuticas validadas e aplicáveis segundo critérios cada vez mais sistematizados e que incluem a descrição de inútil, ineficaz e danoso para a circunstância clínica.

A Medicina dispõe-se entre os ofícios que para aprender é fazendo que se aprende. Há um processo de habilitação que se mostra altamente dinâmico. A organização mental de hoje para várias tomadas de decisão na beira do leito pode não  ser exatamente a de ontem e  talvez não  seja a de amanhã.

Atividades novas são recorrentes na vida de um médico: o vislumbre de uma oportunidade em outro posto de trabalho, o planejamento clínico sob fundamentos recém modificados, a diversificação de uma técnica, a designação para uma comissão, o convite para colaborar numa  difusão para leigos.

Elas têm o potencial de provocar apreensão no médico pelo risco de ser mal sucedido, o que inclui acarretar danos para o paciente, para o colega, para o sistema de saúde: “… Estou capacitado a assumir a responsabilidade?…”. É cenário de vulnerabilidade em que argumentos e contra-argumentos sobre  permissões e entraves invadem a mente e desafiam a coragem: “… Devo prosseguir  apesar dos sentimentos de dúvida?…”. “… Mas  como saberei se não me arriscar?…”. “… E se provoco consequencias danosas para o paciente?…”

Temeridades à parte, situações desta natureza costumam internalizar agonismos e antagonismos. Representante do primeiro é o Narcisismo benigno e do segundo é a Síndrome do Impostor.

É essencial que o médico conte com o agonismo chamado Narcisismo benigno conforme exposto por Erich Fromm (1900-1980). A sobrevivência profissional, saber-se capaz e identificado com a ética, aplicar a energia psíquica para obtenção de objetivos perfeitamente justificados, acreditar em si e caminhar rumo ao sucesso requerem acreditar na sua imagem como um médico que pode cuidar do paciente dentro das suas competências sem nenhuma presunção de onisciência.

Não creio que algum médico que exerça o seu trabalho com diligente equilíbrio entre esforço pessoal e demandas careça de uma autoimagem positiva, sintetizada no Eu posso!  Uma admiração necessária, que ao mesmo tempo estimula e restringe o médico aos limites de um mundo real para si, com boa fé e sensível a críticas, por isso um aspecto benigno do narcisismo. O anjinho que sopra no ouvido do médico Vá em frente, você não é um impostor!

Acontece que outro anjinho pode estar dizendo no outro ouvido Não faça isso, você é um impostor! Você não é capaz! Logo será desmascarado!

A síndrome do impostor foi descrita em mulheres por Pauline Rose Clance e Suzanne Imes, em 1978, e subsequentemente estendida aos homens. Refere-se a um auto-conceito mais comum em pessoas bem sucedidas com educação rígida e alto nível de cobrança sobre expectativas. Um pedágio de autocrítica a ser superado.

Ocorre um sentimento que ele próprio é uma fraude intelectual, que foi sorte da última vez, que não se repetirá, que o que faz “não é nada demais”, apesar de ter informações ao contrário. Ele tomará algumas providências para evitar ser considerado uma fraude, pode investir no charme, pode evitar demonstrar suas habilidades porque receia que serão negadas por outros e assim se retrai.

Saber que ela existe, trabalhar firmemente pensamentos automáticos sobre ser uma falsidade, não ser inteligente ou criativo suficiente, entender que a realidade pode ser diferente dos mesmos são movimentos para lidar com a síndrome do impostor.

Consultorias em Bioética mostraram-me que graus distintos de narcisismo benigno e do fenômeno do impostor movem ou imobilizam médicos, especialmente fora da zona de conforto.

É importante ter mente que a coexistência da dupla no médico contribui para que ele seja tão beneficente/não maleficente quanto possível.

 

 

 

Enquete 233- Qual foi a declaração mais sincera?

Recentemente, o ministro da Saúde brasileiro disse que o Brasil “perde feio” a batalha contra o Aedes aegypti.

O porta-voz da Organização Mundial de Saúde  considerou  a declaração “algo fatalista… Se esse fosse o caso, poderíamos abandonar tudo… Não é o caso…”.

Qual foi a declaração mais sincera?

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Enquete 232- Crítica é como pasta de dente, não dá para voltar de onde saiu

Crítica (negativa) quando torna-se conhecida pelo criticado vira pasta de dente, não dá para voltar ao tubo.

Crítica de paciente é cada vez mais frequente nos hospitais do Brasil.  Um alvo – não o mais frequentemente atingido- é o médico que prestou ou está prestando o atendimento.

Na sua experiência, a expressão mais comum de crítica (negativa) do paciente diretamente ao médico é

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Enquete 230- Exame médico pré-admissional para Presidente da República?

Art Caplan é professor de Ética Médica na New York University. Recentemente, ele assim se expressou: “… Eu penso que candidatos a Presidente da República deveriam ser examinados por um grupo de médicos aprovados pelos dois partidos e os resultados revelados para que cada cidadão americano possa fazer a própria avaliação da importância dos mesmos… Eu não estou argumentando que ter uma enfermidade -mental ou física- ou ter algum tipo de disfunção desqualifica para ser presidente… Eu penso que afirmações sobre a saúde do candidato deveriam ser feitas por um grupo de médicos fora da política e de vínculos pessoais com os candidatos…”.

Tais observações foram motivadas pela declaração do médico pessoal de um dos postulantes atuais que o seu paciente é “…o mais saudável para concorrer à presidência…”.     http://www.medscape.com/viewarticle/857081

Você acha ético um exame "pré-admissional" obrigatório para candidatos em eleições majoritárias?

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