182- Tomada de decisão compartilhada em UTI

A revista Critical Care Medicine de 27 de outubro de 2015  publicou que os Comités de Ética do American College of Critical Care Medicine e da American Thoracic Society aprovaram uma definição sobre Tomada de decisão compartilhada em Unidades de Tratamento Intensivo e fez 5 recomendações (Quadros).

shared3shareddecision4

Definições sobre atitudes são instrumentos de clareza para a atuação à beira do leito.

A Bioética da Beira do leito entende que elas  contribuem para a mais adequada percepção da abrangência do tema e para a harmonia de atitudes com valores e preferências de pacientes graves em momentos delicados dos cuidados com as suas necessidades de saúde.

O cotidiano abrange escolhas desde as com alto valor agregado até as com baixo valor agregado. E, em atenção ao Princípio da Autonomia, o paciente-ou seu representante- oscila entre posturas de alto controle e de baixo controle sobre a recomendação médica. Desta maneira, a aplicação de métodos de grande ou de baixa influência no prognóstico precisa ser ajustada na relação médico-paciente. Consentimento do paciente- ou representante- é palavra-chave para evitar uma habitual hierarquização profissional na tomada de decisão, salvo em circunstância de iminente risco de morte.

O processo de compartilhamento de tomada de decisão é trabalhoso e exige um acolhimento exemplar. A equipe de saúde tem uma visão técnico-científica que precisa ser bem explicada e dialogada com o paciente. Este, por sua vez, tem reações próprias com distintas roupagens, um período de tempo para absorver notícias desagradáveis  é sempre útil e um não consentimento não necessariamente reflete falta de confiança na Medicina e/ou no médico e equipe multiprofissional.

O artigo em questão destaca passos que a Bioética da Beira do leito tem sugerido para o processo de tomada de decisão. Vale a pena recordá-los para utilização como guia ético da relevante conexão médico-paciente:

  1. Estabeleça uma relação de confiança com o paciente e familiares, inclusive com envolvimento multidisciplinar;
  2. Dê suporte emocional,  transmita empatia.
  3. Faça esclarecimentos, aprecie a compreensão, estimule a apresentação de dúvidas e corrija má-interpretação;
  4. Vá devagar com explicações em linguagem simples. Use pausas para avaliação da recepção.
  5. Aborde o prognóstico pelos lados da sobrevida e da qualidade de vida;
  6. Enfatize que as várias opções para diagnóstico e para tratamento possuem suas próprias relações de risco-benefício;
  7. Conheça preferências de tratamento prévias;
  8. Conheça os valores, objetivos e preferências do paciente;
  9. Dê suporte para o representante do paciente;
  10. Providencie para que haja uma tomada de decisão.