162- *PRÓTESE ÉTICA* Blog-novela Capítulo I

Apresentação22005

LS, masculino, 52 anos, professor, apresentou insuficiência cardíaca. A solução era a substituição da valva aórtica por uma prótese.

Sob cuidados do Dr. JN,  o paciente percorreu alguns pedágios bioéticos da relação Medicina-médico-paciente-instituição de saúde-sistema de saúde.

A sigla BBL refere-se à personificação da Bioética.

A sigla BP refere-se à bioprótese, por deferência da prosopopeia.

Primeiro pedágio bioético- ambulatório

 

Dr. PN  -LS, você aceita, então, viver com uma prótese dentro do seu coração?

LS   – Doutor, a vida perdeu o sentido. Desejo me recuperar o mais breve possível.

Dr. PN -Preciso do seu consentimento.

LS- Como faço?

Dr. JN – É dizer que aceita, mas somente se você se sente esclarecido e livre para decidir.

LS  -Esclarecido sem dúvida, doutor, pois compreendi as explicações que o senhor me deu.

Dr. PN  -E livre também?

LS  -Livre certamente, eu não sinto nenhuma imposição externa.

Dr. PN -E interna?

LS  -Doutor, sinceramente, se só dependesse da minha vontade, ficaria tomando comprimidos e até tomando umas injeções. Eles como que tiraram com a mão o meu desconforto.

Dr. PN -Eu compreendo. Os medicamentos lhe devolveram conforto, mas  não posso garantir que isto dure muito tempo mais.

 

BBL    LS estava sentindo o agora. O Dr. PN pressentia o amanhã, ciente dos limites do efeito  farmacológico naquela circunstância clínica. Ele desejava privilegiar o bom prognóstico do implante de uma prótese valvular. Mas LS precisava aceitar que a prótese significaria liberdade para viver ao seu modo.

LS -Estou com medo da operação, doutor.

Dr. PN – Reconheça que o medo faz parte. Ajudará  a prosseguir mesmo com ele.

 

BBL   Não aceitar o conselho médico não significaria falta de confiança de LS no Dr. PN.   LS estava se sentindo violentado pela doença e pela agressão cirúrgica em perspectiva. A resposta esperada era mais para si próprio do que para o Dr. PN.  LS estava refém da sua valvopatia, o resgate era a prótese, havia um custo para o benefício. E teria de pagar em sofrimento. Continue lendo