150- Quebra-cabeça na Saúde. Encaixes não admitem band-aids

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O quebra-cabeça do panorama atual da Política de Saúde brasileira é daqueles de caixa enorme com centenas de peças. As Representações Médicas esforçam-se para colaborar nos encaixes.

Os brasileiros estão lendo e ouvindo, ultimamente, posicionamentos de divergência a respeito da educação médica, exercício profissional e financiamento da Saúde.

O denominador comum da preocupação de entidades médicas nacionais é a qualidade dos cuidados com a saúde de mais de 200 milhões de pessoas distribuídas por mais de 8,5 milhões de Km² e sujeitas a distintas regionalidades da relação recurso humano-recurso material-população.

É sabido que iluminar a aparência e sombrear o por dentro  alerta para possibilidade de Mais resultar menos.

Mais médicos, Mais especialistas, Mais Faculdades de Medicina, Mais imposto emitem mensagem de (+) quantidade em meio a um vale de lágrimas que ecoa (-) qualidade ao se refletir em montanhas de realidades da Saúde.

O quebra-cabeça é verde-amarelo. Ocupar-se dele inclui viva memória histórica sobre brasilidades. Dois séculos já se passaram desde o marco histórico da criação da primeira Faculdade de Medicina na Bahia. Já o Ministério da Saúde nasceu em 1930 sob a denominação de  Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Foi em 1957  que a Lei 3268 criou o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina, os órgãos supervisores da ética profissional em toda a República e ao mesmo tempo, julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho ético da medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente. Vinte anos após, o Decreto  80281 da Presidência da República  oficializou a Residência em Medicina no Brasil como modalidade do ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, em regime de dedicação exclusiva, funcionando em Instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. O artigo 196 da Constituição brasileira de 1988 reza que Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

É sabido que iluminar a aparência e sombrear o por dentro traz a possibilidade de Mais (número) significar menos (aptidão). Mais médicos, Mais especialistas, Mais Faculdades de Medicina, Mais imposto emitem mensagem de (+) quantidade em meio a um vale de lágrimas que tem ecoado (-) qualidade, após ser refletida nas montanhas de realidades conhecidas, amplamente comentadas. Qualquer hiperativismo criativo é passível de comprometer a boa relação risco-benefício da inovação. Ele exige Mais Mais ângulos de discussão, Mais Mais comunicação sobre entrelinhas, Mais Mais conexões com o mundo real. Afinal, Pensar não paga imposto – ou este dito popular sucumbe à recessão?

Quando alguém declara que Medicina é coisa séria, como tantas outras áreas do saber, ninguém discorda. Não há Medicina sem médico, então, ser médico é coisa séria. Não há Medicina com médico sem outras categorias profissionais, então a presença de outras categorias profissionais é coisa séria. Não há Medicina com recursos humanos adequados sem infraestrutura, então infra-estrutura é coisa séria. Não há Medicina sem financiamento, então financiamento é coisa séria.

É na Residência Médica onde o recém-médico, tendo invariavelmente no bolso os 3 C –  caneta, carimbo e celular-  começa a ganhar a exata dimensão da seriedade de que uma só andorinha séria não faz verão sério. É a atuação movimentada e supervisionada que clarifica para o Residente de Medicina a métrica do distanciamento entre estar de posse de um número de CRM e realizar-se médico como gostaria de ser.

Da beira do leito, por exemplo, conjunturas relevantes reverberadas sobre a tríade planejar-comunicar-acompanhar incluem:

a) Não faltam becos, ruelas escuras e labirintos no caminho entre o livro de Medicina e o paciente de carne e osso.

Tysonb) Olho clínico tradicional e olho tecnológico moderno precisam convergir para um ultramoderno olho ciclópico do médico.

c) Diretrizes e protocolos de atendimento são bússolas, nunca algemas. Inexiste duplicidade de impressão digital. Continue lendo