133-Autonomia, Apolo e o Oráculo de Delfos

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Templo de Apolo em Delfos, Grécia

Registra a História que Hipócrates afastou a Medicina dos deuses e destacou o poder do médico sobre a vida das pessoas.  Isso significou que o Pai da Medicina contestou a autonomia e instituiu o paternalismo. Como assim? Muitos dirão. Deuses provocando um senso de responsabilidade no ser humano por ocasião de tomadas de decisão? Não seria o inverso? O desejo dos deuses justificando e acrescendo conformismo numa configuração plenamente heteronômica?

É preciso entender melhor o significado de Apolo, o deus da razão e da lógica- pai de Asclepius, o deus da Medicina- e do oráculo de Delfos, na Grécia antiga.

Apolo era uma fonte de ambiguidade e o oráculo de Delfos não representava uma “palavra definitiva a ordenar como fazer”. Na verdade, o conjunto funcionava como um estímulo para que a pessoa analisasse o seu problema de acordo com o seu modo próprio de ser, e se reconhecesse “dono de si”, condutor do seu destino, após ser informado de uma gama de possibilidades para atenção à dificuldade, algumas delas não cogitadas.

Ponto essencial é que a análise das opções determinava um intervalo reflexivo precioso entre o estímulo e a resposta, assim aproximando a tomada de decisão da real identidade do cidadão. Portanto, uma prática da próprio arbítrio na seleção de caminhos resolutivos. Continue lendo