116-A caixa de Pandora, da Mitologia grega para a Bioética

curiosoLi Bingo, o Curioso, na infância. A leitura marcou-me sobre o valor da curiosidade. Mais recentemente, soube que o autor Hans Augusto Reyersbach (1898-1977) esteve na Amazônia na década de 20 por razões comerciais e lá se inspirou para criar o macaco personagem George – o título original é Curious George.
Segundo a Mitologia grega, foi a curiosidade de Pandora (Pan-tudo, dora-a ser dado), a primeira mulher, que fez com que ela abrisse um recipiente, apesar das recomendações em contrário, e assim deixasse escapar todos os males do mundo. A caixa de Pandora tornou-se uma metáfora: sabemos como começar, mas não temos ideia da sequência, em muitas ocasiões. Voltando ao macaco Bingo-ou George-, é por isso que macaco velho não põe a mão em cumbuca…

O Brasil está no momento  atemorizado com  uma consequência da “abertura da caixa de Pandora”: o escape de vírus e de mosquito agora provocando o surto de Dengue em muitos estados da Federação. Pandora não teve como fechar o recipiente assim que percebeu o mal da curiosidade.  Cabe à humanidade recolocar males dentro da caixa de Pandora.  Um dos instrumentos é a própria curiosidade.
No âmbito da Medicina, a curiosidade motiva o médico a caminhar pelos labirintos dos males à Saúde  em busca da  placa: Saída Utilidade e Segurança. A Bioética da Beira do leito, sensível à idéia tese+antítese=síntese, valoriza curiosidade como obrigatória e continuada sucessão de perguntas sobre o desconhecido ligado às incertezas da Medicina, questões sustentadas pela permanente crítica sobre a prática do binômio benefício-adversidade.

Continue lendo