CBio20-Transgênicos: o risco percebido e o risco real

Paulo-pequeno

 

PROF. DR. PAULO PAES DE ANDRADE

Universidade Federal de Pernambuco

 

Quando, numa roda de conhecidos, perguntamos a opinião de qualquer um sobre os transgênicos, a resposta é sempre inesperada: dependendo da formação acadêmica, politização, uso das redes sociais e muitos outros fatores, o cidadão vai ter uma resposta muito diferente. De fato, não há unanimidade entre os brasileiros.

A discussão sobre os transgênicos nunca decolou seriamente no país. Hoje ela está polarizada entre os que se opõem veementemente e os que concordam com a adoção da biotecnologia agrícola. O foco exclusivo nas plantas transgênicas mostra o primeiro elemento que forma (e deforma) a opinião de cada um sobre a questão: o medo instintivo que temos de novidades quando se trata de comida. É evidente que a biotecnologia permeia nossa vida, desde a insulina até enzimas para sabão em pó, tudo proveniente da biotecnologia e ninguém questiona. Mas quando se trata de milho ou soja (e, em breve, feijão), quase todos têm uma opinião a dar.

A percepção da segurança dos transgênicos como alimentos deriva, portanto, do nosso receio de novidades alimentares, mas também das informações que recolhemos da mídia, de nossos grupos sociais e, claro do alinhamento que temos com nossos like-minded (ou nossos parceiros de opinião). Somos “bichos sociais” e nossa opinião é muito mais a opinião do grupo a que pertencemos ou queremos pertencer do que a nossa, derivada da indispensável meditação e de aprofundamento no tema. Continue lendo