BioAmigoBR 55- Não dá zebra!

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Barão de Drummond (1825-1897)

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O jogo do bicho é  brasileiríssimo. A fim de estimular o comparecimento ao Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, nos primeiros anos da República, o proprietário, o mineiro João Batista Viana Drummond (1825-1897), o Barão de Drummond,  idealizou  a estampa de um bicho no bilhete de ingresso. Aquele que tivesse o “animal do dia”, conhecido ao final do expediente, ganhava um prêmio.

Daí o jogo do bicho ganhou as ruas e passou a designar bilhetes de loteria. Muitos sonhavam com um bicho e jogavam nele ou compravam um bilhete de loteria com o número correspondente.

Cada bicho formava um grupo de 4 números consecutivos entre 01 e 99, totalizando 25 grupos.

Como pode ser observado abaixo, inexiste a Zebra. Por isso, a irreverência do carioca criou a expressão”deu zebra”, significando algo inesperado.

 

1     AVESTRUZ         01 02 03 04
2    ÁGUIA                  05 06 07 08
3    BURRO                09 10 11 12
4    BORBOLETA      13 14 15 16
5    CACHORRO        17 18 19 20
6    CABRA                 21 22 23 24
7    CARNEIRO         25 26 27 28
8   CAMELO             29 30 31 32
9   COBRA                 33 34 35 36
10 COELHO             37 38 39 40
11 CAVALO              41 42 43 44
12 ELEFANTE         45 46 47 48
13 GALO                  49 50 51 52
14 GATO                  53 54 55 56
15 JACARÉ              57 58 59 60
16 LEÃO                 61 62 63 64
17 MACACO          65 66 67 68
18 PORCO             69 70 71 72
19 PAVÃO             73 74 75 76
20 PERU               77 78 79 80
21 TOURO            81 82 83 84
22 TIGRE             85 86 87 88
23 URSO              89 90 91 92
24 VEADO           93 94 95 96
25 VACA              97 98 99 00

107-Um au-au tendimento numa Unidade de Atendimento Humano

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Crédito:http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/04/foto-de-cao-tomando-soro-em-hospital-de-guaruja-sp-gera-polemica-na-web.html

Um cachorro vira-lata foi atendido numa Unidade de Pronto Atendimento no litoral paulista. Virou notícia. Tipo de comunicação que não costuma acontecer com pessoas que lá são cuidadas. A não ser que haja um fato negativo, um não-atendimento, uma interpretação de negligência, inspirando uma manchete de erro médico. Aqui, aconteceu o atendimento e se erro houve, ele resultou em sucesso. Como já se disse, um cachorro morder o homem não motiva uma notícia, mas o inverso…  A circunstância foi que o homem é que se mostrou o amigo do cão, no caso um desconhecido… até então.

A justificativa para a atenção veterinária num ambiente para tratamento de humanos foi um aspecto ético que é destacado no Código de Ética Médica vigente: a iminência de morte, circunstância que dá autoridade ao médico para instituir a conduta pró-vida em caráter de emergência, independente da opinião do paciente ou do representante indicado ou legal. Subentende-se, na ressalva, que o paciente não esteja numa evidente situação de terminalidade de vida, o que tornaria a providência uma distanásia e  que não haja alguma Diretiva Antecipada de Vontade com efeito impeditivo. Ambas condições são, contudo, irrelevantes para o caso do cachorro.

Em tempos onde muitos vêem indiferença na atitude de médicos, o inusitado atendimento não deve ser alvo de julgamento moral do tipo Mas que absurdo! Tanta gente precisando de cuidados com  a saúde! Será que o SUS permite!  Foi fato isolado, ninguém incentivará à repetição, evidentemente. Ele deve ser visto pelo lado  positivo, há uma pedagogia a ser extraída da espontaneidade acontecida. Aparentemente, nenhuma má-fé, apenas a conformidade consigo, numa roupagem imprevista e que superou eventual preocupação com os possíveis críticos. Continue lendo