99-Um paradoxo no caminho da insatisfação do paciente com o médico

2+24Eu li no Estadão do dia 22 de março que o número de processos no Supremo Tribunal de Justiça por erro médico cresceu 140% em 4 anos. A chamada está na primeira página.  http://digital.estadao.com.br/home.asp.

Nada bom para a classe médica. Uma aparente contradição. O médico que pode aplicar mais benefícios do que outrora está sendo considerado mais maléfico para o paciente.

Esta notícia chega cerca de um mês depois que se divulgou que o médico ausentar-se para ir a um Congresso reduz a mortalidade intra-hopsitalar no período.  O que de alguma forma conjuga-se a pensamentos que menos é mais em determinadas circunstâncias clínicas. A Bioética alvoroça-se.

É provável que os casos  que estão no Superior Tribunal de Justiça correspondam tanto a insuficiências da Medicina quanto a negligência/imprudência de profissional. Maus resultados acontecem, inclusive, por  causas à margem do vínculo Medicina-médico-paciente, ligadas a instituições da Saúde e ao sistema de Saúde. A matéria publicada não dá detalhes. Fica tudo como erro médico, o que é lido como erro de um médico.

Há muito que a expressão erro médico tem sido empregada de forma difusa. Ela deve ser substituída por erro profissional. Uma parte deste é que ocorre por erro comprovado do médico, sendo, então, passível de condenação ética, além daquela de que trata a matéria jornalística.

É essencial analisar o termo cometer um erro. O médico cometeu um erro não aceita único patamar de indignação. Façamos uma analogia com mentira:  Quem mente sabe qual é a verdade, ou crê que a conhece. Caso contrário, ele não estaria deliberadamente faltando com a verdade. Ele estaria expressando a sua percepção, embora dissociada da realidade.

Numa relação de correspondência, quem erra, então, pode estar fazendo uma interpretação inexata, uma má escolha, uma decisão desnorteada. É erro por carência de conhecimento, por  inabilidade. Assim, é erro do médico não cometido por intenção, não houve o dolo. Não se deve supor má-fé, pretendia-se acertar. Mas, tem o seu preço, que deverá ser pago na forma da lei. Continue lendo