BioAmigoBR 30- No útero os males da mulher. Um Código de Ética urgente!

A Ética há algumas décadas

“Bulas” altamente sugestivas publicadas na mídia.

A revolta do Dr. Gesteira! Imperdível

Dois anos depois desta manifestação do Dr. J. Gesteira entrou em vigor o Código de Moral Médica (1929), o primeiro a ser adotado no Brasil. Reproduzo abaixo artigos que evidenciam os primórdios da valorização de um Código de Ética para disciplinar a conduta do médico.

Artigo 20- São ato contrário à honradez profissional, e em conseqüência condenados pela deontologia médica, os seguintes:

1º- Solicitar a alteração publica por meio de avisos, cartões particulares ou circulares em que se ofereça a pronta e infalível cura de determinadas moléstias;

2º- Exibir, publicar, ou permitir que se publique em jornais e revistas não consagrados á medicina, o relato de casos clínicos, operações ou tratamentos especiais;

3º- Anunciar ou publicar de qualquer forma que se prestam serviços ou se dão medicamentos gratuitos aos pobres;

4º- Exibir ou publicar atestado de habilidade ou competência e vangloriar-se publicamente do êxito obtido com sistemas, curas ou remédios especiais;

5º- Convidar para atos operacionais pessoas estranhas á medicina;

6º- Obter privilégio para a fabricação e venda exclusiva de instrumentos cirúrgicos e medicamentos secretos;

7º- Prescrever remédios secretos próprios ou de outras pessoas e expedir certificados em que se ateste a eficácia de medicamentos secretos; ou contribuir de alguma maneira para recomendar o seu uso;

8º- Substituir os médicos assistentes sem antes ter cumprido as regras prescritas no presente código;

9º- Instalar-se em casa do enfermo para observar marcha da moléstia, quando não são esperados complicações graves, e prestar aos pacientes serviços da incumbência exclusiva dos praticantes assistentes e enfermeiros.

10º- Estabelecer gabinete de consulta ou clinica no mesmo pavimento ocupado por uma farmácia ou drogaria.

Artigo 21º- Os médicos estão no dever de combater o industrialismo e charlatanismo médico, qualquer que seja a sua forma, e opor-se por todos os meios legais ao preparo, a venda , propaganda e uso de medicamentos secretos, assim como as praticas grosseiras e absurdas, com que costumam explorar o publico os charlatões e impostores. Igual conducta observarão ao respeito do exercício ilegal da profissão e métodos ou sistemas que não repousem sobre base cientista ou se encontrem em franca oposição com os fatos demonstrados pela observação e experiência.

Artigo 22º- Os médicos, ao oferecer ao publico os seus serviços por meio de anúncios em publicações, limitar-se-ão a indicar seu nome, sobrenome, títulos científicos, especialidade a que se dedicam, dias e horas de consulta e o endereço de sua residência ou consultório.Qualquer outro oferecimento é considerado como ato de charlatanismo ou de industrialismo contrario a ética profissional.

Artigo 23º- O médico abster-se-á de toda recomendação publica ou privada que tenda a favorecer determinado farmacêutico ou estabelecimento de farmácia; mas, sim, poderá impedir que suas formulas sejam aviadas em farmácias cuja direção esteja a cargo de pessoas moralmente desacreditadas ou que por qualquer outro motivo se tornem indignas da confiança publica.

 

 

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97-Bioética da Beira do leito e do Ciberespaço?

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Crédito: http://www.learntheheart.com/blogs/cardiac-physical-exam-portable-echo/

09113307445081A piada é conhecida: Jesus Cristo, médico iniciando na Unidade de Saúde, atende um paciente paraplégico, que, pouco depois, sai do consultório andando perfeitamente.  Bate a curiosidade otimista na sala de espera: o que você achou do novo médico? A resposta foi contundente: igual aos demais, nem me examinou.

Um ponto positivo do humor é ser reflexivo. Um movimento do disparate ao sentido. Podemos deduzir do exposto que: a) a sala de espera almeja o tratamento eficaz; b) o paciente deseja atenção do médico; c) a identidade do médico fica em plano secundário.

A tradição hipocrática, aquela que resgatou a Medicina dos deuses, exige a relação médico-paciente presencial. Numa época de telefonia à mão e na mão, persiste dever moral do médico praticar o atendimento presencial, embora, a bem da verdade, fica difícil  tipificar no Código de Ética Médica vigente aquele hipoteticamente realizado via celular, através de algum aplicativo futurista e constante no prontuário do paciente.

Este ético presencial  admite,  atualmente, um “terceiro ser”. É o computador. Ele tem vida, alimenta-se, trabalha e dorme. Aprisiona nossas vidas, também.  Ele insere-se no disposto pelo art. 85 do Código de Ética Médica vigente: é vedado ao médico permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade.  Uma senha  tornou-se  tão necessária ao médico quanto o carimbo com nome e número do CRM.   Continue lendo