89-Doutor, não era o que eu pretendia ouvir

compaA consulta era para uma segunda opinião.  Escolheu-me  pelo currículo na internet e pelo vínculo ao InCor. Viajou de ônibus noturno por não apreciar o vôo e chegou com pré-confiança na capacidade profissional. E, também, com a expectativa de que ouviria o que desejava. O paciente conhecia bem o que se passava com ele e estava “atualizado” pelas consultas a médicos e à internet.

Foi uma consulta de 70 minutos. Ouvi sua história, examinei-o detalhadamente e analisei os exames trazidos. Nenhuma dúvida restou da minha parte. Eu confirmei o diagnóstico de uma lesão valvar importante e recomendei a substituição valvar. Informei-lhe que o risco cirúrgico era baixo por se tratar de pessoa jovem e sem doenças associadas. Enfatizei a alta probabilidade de usufruir de excelente qualidade de vida uma vez resolvida a anormalidade hemodinâmica.

Ao final da consulta, a revelação com semblante de frustração: “… Doutor, esperava que o senhor me desse um medicamento para evitar a operação…”. O paciente saiu triste, coçando a cabeça. Continue lendo