CBio11-A Ética no cotidiano da enfermagem

RosemeireEnfInCor

 

ROSEMEIRE FERREIRA DA SILVA

Enfermeira

 

A reflexão ética na prática profissional da enfermagem deve ser um processo de aprendizagem permanente, ou seja, todos devem trabalhar as questões éticas em suas atividades cotidianas, tendo em vista que é comum nos  depararmos com desafios e dilemas éticos. Muitas vezes essas questões éticas, que frequentemente expressam profundos dilemas, não têm uma resposta pronta, que possa ser encontrada nos códigos de ética ou nas leis, requerendo reflexão e discussão ética que permitam uma tomada de decisão.

Temos uma tendência de mecanizar a assistência desrespeitando os direitos dos usuários dos serviços de saúde, apesar da existência de instrumentos legais e deontológicos que respaldam esses direitos. Exemplo impor horários rígidos para realização de procedimentos. E aí reside a questão ética, que é a necessidade da convicção pessoal e da adesão institucional a valores e princípios, traduzidos em medidas administrativas para que esses direitos sejam respeitados, devendo ser identificado, na cultura da instituição, qual o valor dado aos direitos dos usuários dos serviços de saúde.

Uma ocorrência comum, na pratica assistencial, é o não reconhecimento, por parte dos profissionais, da autonomia dos usuários dos serviços de saúde, que se refere ao poder da pessoa de tomar decisões relativas à sua saúde, seu bem-estar, seu tratamento, e enfim, à sua vida, mediante seus valores, crença, necessidades, expectativas e prioridades. Liberdade e competência são condições fundamentais para a manifestação da autonomia. Acredito que a bioética ajuda muito nessa assimetria do poder existente entre os profissionais e os usuários. Nesse sentido, é preciso que os profissionais não só reconheçam esse direito, mas também possibilitem a aquisição de competência por esses usuários, através de estratégias que aumentem o poder desse grupo vulnerável, para que escolhas sejam feitas frente às possibilidades oferecidas.

O reconhecimento da autonomia do paciente pressupõe, também, a aceitação de que muitas vezes a decisão tomada pelo usuário poderá ser diferente daquela, possivelmente, o profissional tomaria.

Ao mesmo tempo em que ocorrem avanços científicos e tecnológicos tão intensos, muitas vezes, na prática assistencial, vive-se o grande dilema e a angústia de ter que decidir qual o paciente, que dentre os que precisam, vai ocupar o leito disponível, ou, dentre os pacientes graves, qual receberá a única vaga da UTI. Muitas vezes os recursos da saúde impõem a situação de ter que decidir, com sérias implicações éticas, como distribuir os recursos cada vez mais escassos para uma demanda progressivamente maior, em alguns casos com falta de recursos humanos.

Outra preocupação existente no gerenciamento em enfermagem diz respeito ao risco de uma assistência à saúde desumanizada e despersonalizada com o crescente desenvolvimento e a incorporação tecnológica. Esse risco parece ser maior nas instituições que têm como foco o paradigma técnico-cientifíco, centrado no conhecimento científico e na eficiência técnica, com ênfase na tecnologia de ponta e na especialização. Em instituições assim caracterizadas, observa-se a tendência de tratar a doença e não a pessoa. Nesse sentido, não deve ser permitido que o ser humano seja tratado com uma máquina a ser consertada, sendo esquecidas suas dimensões psíquica, social, cultural e espiritual.

O conhecimento da situação, o uso dos instrumentos éticos e legais e o reconhecimento dos valores, crenças e convicções presentes nas situações propiciam que as tomadas de decisões sejam respaldadas por preceitos éticos, fortalecendo o compromisso profissional. Dessa maneira o perfil do gerente e sua postura na tomada de decisões afetam significativamente os resultados dessas decisões, principalmente no que tange às inovações referentes à assistência, ao ensino e ao incentivo à pesquisa.

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