87-Entreabrindo a porta para a Bioética

principal_portas_corta_fogo_1A expansão da Bioética entre nós mostra-se acanhada. Procuro razões da falta de laços e, ao mesmo tempo, pesquiso formas eficientes de motivar e produzir vínculos.

Experiências em outros países são peças inspiradoras, mas, comumente, os formatos para os encaixes de lá necessitam de ajustes para montar nossos quebra-cabeças. É preciso incutir a doutrina da Bioética o mais possível aplicável às características brasileiras da beira do leito, plena de categorizações associadas a diversidades regionais notórias dos cuidados com a saúde num país continental, pluri étnico e multicultural.

Um ponto de referência é o Residente de Medicina brasileiro que, diploma numa mão e carimbo noutra, caminha ao encontro da experiência da beira do leito. Reproduzo o que um deles me disse durante uma Oficina de Bioética no InCor: “… Esta tal de Bioética parece interessante, mas para o que é que serve mesmo?… Quando eu estudo num livro, faço uma revisão sobre determinada doença numa revista, vou atrás de uma diretriz, não leio que há necessidade de aplicar a Bioética…”. Continue lendo

BioAmigoBR 10-João Pessoa e capital

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João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque

Quatro estados brasileiros têm nome da capital como homenagem a uma pessoa. Três não são designadas pelo nome de batismo do homenageado: Rio Branco refere-se ao Visconde, cujo nome era José Maria da Silva Paranhos (1819-1880), Salvador é epíteto de Jesus Cristo e Teresina originou-se da imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon (1822-1889). A única capital com o autêntico nome  é homenagem  a um político.  Trata-se de João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (1878-1930), que foi um governador da Paraíba que  se candidatou a vice-presidente da República de Getúlio Vargas, em 1930.  A chapa  Vargas-Pessoa não foi a eleita pelo povo brasileiro. A Revolução de 30, contudo, impediu a posse do presidente eleito Julio Prestes de Albuquerque (1882-1946). João Pessoa foi assassinado em julho de 1930 pelo adversário político João Duarte Dantas (1888-1930), fato que contribuiu para desencadear a Revolução em outubro e depor o presidente em final de mandato Washington Luis Pereira de Sousa (1869-1957).

BioAmigoBR 9 – Um mapa do Brasil

evoluo-territorial-do-brasil-em-mapas-1534-atual-5-638A expansão territorial do Brasil foi progressiva a partir do demarcado pelo Tratado de Tordesilhas – 1494, portanto antes de Cabral- e contou com ajuda dos bandeirantes.

Em 1709, o Brasil  estava composto por  7 províncias: Grão-Pará, São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Pedro. Há muita história que precisaríamos conhecer até a  composição atual de 26 estados e um Distrito Federal.

As denominações acima tiveram influência religiosa (São Paulo, São Pedro e Bahia- de Todos os Santos-) e do tupi, pois pará significa mar, com subsequentes modificações de pará para a composição de Maranhão e de Pernambuco. Há informações que rio e baía tinham mesma  expressão semântica para os portugueses, razão do Rio de Janeiro como Baía da Guanabara- braço de mar.

Enquete 34: Exames trazidos com emoção pelo paciente

Paciente entra na consulta carregando uma sacola de exames. A sua primeira frase dita com evidente emoção é : “…Doutor, outro médico disse que eu preciso fazer uma operação, eu não quero, por isso trago todos os exames para uma segunda opinião…”.

É mais conveniente:

1- Seguir a consulta padrão, vendo os exames ao final- Da consulta para o paciente

2- Ver imediatamente os exames, em face da circunstância- Do paciente para a consulta

 

BioAmigoBR 8 -O Poço do Visconde

poçoTanta notícia sobre o petróleo do Brasil fez-me lembrar dos livros infanto-juvenis que li com muito gosto e que, certamente, influenciaram a minha formação e o meu desenvolvimento. Refiro-me, particularmente ao Poço do Visconde, escrito em 1937. O  nobre do título é o Visconde de Sabugosa, o filósofo sabugo  de milho  que estudou geologia para junto das idéias da boneca de pano Emília e da força bruta do rinoceronte Quindim  abrir um poço de petróleo no pasto do Sítio do Picapau Amarelo. Certamente, na ocasião, não me dei conta do fundo político do texto. O autor José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948), que  foi uma pessoa polêmica em vida e assim continua décadas após a sua morte, utilizou o talento de escritor e o cenário que tão bem construíra em defesa da tese de que o Brasil tinha  petróleo.

Vale recordar palavras da parte final do livro: O cortejo seguiu solenemente na direção do Caraminguá n.° 1, acompanhado pela multidão dos comensais em delírio. Lá, defronte da sonda, Quindim parou e Dona Benta pediu a Mister Kalamazoo que pegasse a coroa de rosas das mãos da Emília e a colocasse na torre, com o letreiro que Pedrinho traçara em letras de ouro num quadrado de papelão. Mister Kalamazoo assim fez. Pendurou na torre a coroa de rosas e prendeu por baixo o letreiro de PedrinhoPoco

86-Nada é permanente, exceto a mudança

pppppimages O título deste post é uma frase do filósofo grego Heráclito. Dei-me conta que um grande de percentual de médicos brasileiros em exercício- incluo-me- não teve nenhum contato com a Bioética na graduação e na pós-graduação. As novas gerações passaram a ter a oportunidade, contudo,  em Faculdades selecionadas.

Se a Bioética era dispensável, porque é que, agora, há um conjunto de pessoas de distintas formações profissionais que entendem que ela é essencial para a qualidade dos cuidados com a saúde à beira do leito. Propõe-se, inclusive, a conveniência da presença de  Comissões de Bioética nos hospitais.  O que foi que mudou? Continue lendo

BioAmigoBRasil7- Recordando gentílicos

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Crédito: http://www.malwee.com.br/bandeiras/pessoas.php

Gentílico é designação do local onde se nasce.  É imensa a lista de gentílicos no Brasil gigante pela própria natureza. Muitos deles são fáceis de identificar como baiano, curitibano e  nordestino. Outros estão mais ou menos incorporados ao nosso idioma. Relaciono alguns destes:

Candango-  Quem nasce em Brasilia, homenagem aos pioneiros que para lá se deslocaram na época da construção da nova capital do Brasil.

Capixaba- Quem nasce no Espírito Santo, origem na denominação que os índios  tupis da região davam a suas plantações de milho e de mandioca.

Carioca- Quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, significa casa do homem branco em tupi, provavelmente relacionado a uma construção efetuada pelos primeiros portugueses que chegaram ao Rio de Janeiro.

Gaucho- Quem nasce no Rio Grande do Sul, origem ainda discutida por estudiosos da língua portuguesa.

Fluminense- Quem nasce no estado do Rio de Janeiro, termo deriva de flumen- rio em latim. O Brasil tem riograndense do norte e do sul, mas não tem riojaneirense.

Ludovicence- Quem nasce em São Luis, no Maranhão. A cidade foi fundada por franceses que homenagearam o rei Luis XIII. O gentílico refere-se a Ludovico, a origem alemã de Luis.

Potiguar- Quem nasce no Rio Grande do Norte. Relaciona-se à tribo tupi Potiguara que siginifica comedor de camarão.

Soteropolitano- Quem nasce na cidade de Salvador, capital da Bahia. Sotero é  Salvador em grego e pólis é cidade.

BioAmigoBR 6- Das 3 capitais do Brasil, 2 já nasceram como sede do governo

Salvador-CCBY10 brasilia rioJaneiroQuem completa 55 anos de idade este ano nasceu no Brasil com a atual capital. Brasília é a terceira capital do Brasil e a segunda fundada com esta finalidade. A primeira capital, então do Brasil- colônia, foi a baiana Salvador, fundada já capital em 1549, com a chegada do Governador-geral Tomé de Souza. Assim ficou por 214 anos. Foi o primeiro-ministro de Portugal Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782)  -que ficou conhecido como Marquês de Pombal- quem providenciou a transferência da capital do já Vice-Reino do Brasil para a então quase bicentenária cidade do Rio de Janeiro, em 1763. Foram mais 197 anos, até que Juscelino Kubitschek de Oliveira passasse a governar o Brasil desde a cidade que planejara no Planalto Central para ser o novo Distrito Federal.