68-Quando menos é mais

m_ioi140128f1

JAMA Intern Med. Published online December 22, 2014

Há cerca de 150 anos, um  poema do inglês Robert Browning (1812-1889) introduziu  o termo “menos é mais” que tem sido utilizado para expressar utilidade com simplicidade.

A Bioética da Beira do leito admite este conceito na relação entre Beneficência  da Medicina e Segurança para o paciente. Limites de um método e limitações desde o paciente  justificam ajustes de redução da aplicação de um pretenso benefício às necessidades clínicas. É cotidiano do bom senso, é prudência em vista de dados e fatos individualizados. Não fazer, ou fazer comedido não, necessariamente, é negligência, pode ser zelo.

“Menos é mais” está também interligado ao Princípio da Autonomia, quando, por exemplo, há o não consentimento do paciente ditado por seu ponto de vista acerca de  recomendações do médico. O termo está, pois, associado ao respeito à pessoa, à evitação de violências e de coerções perante a intenção do médico de fazer o que “precisa ser feito”.

Não se presume que a ausência do médico se enquadre em “menos é mais”. A Organização Mundial de Saúde recomenda que haja 1 médico por 1000 habitantes, assim “menos é menos”.

Cada Hospital dimensiona a composição de médicos em função da demanda eletiva, de urgência e de emergência. Hospitais de ensino costumam ter número  avantajado de médicos, em distintos níveis de formação, de vivência profissional e de visão do que é ser médico e do que seja Medicina.

No contexto da pluralidade de comportamentos médicos e suas consequências para os cuidados coma  saúde,  o JAMA Internal Medicine que tem um fator de impacto acima de 13, recentemente, publicou um artigo com a seguinte conclusão: “… Observamos menor mortalidade de 30 dias entre pacientes com insuficiência cardíaca de alto risco ou parada cardíaca admitidos em Hospitais de Ensino qualificados  durante os  2 Congressos nacionais de Cardiologia, bem como expressiva menor taxa de  intervenções coronárias percutâneas  entre pacientes com infarto do miocárdio de alto risco, sem nenhuma repercussão na sobrevida. Uma explicação é que a intensidade dos cuidados aplicada durante os períodos de Congresso é mais baixa e que, em  portadores de cardiopatia com alto risco, os danos dos cuidados podem superar os benefícios…http://archinte.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2038979

As manchetes na mídia após a publicação do artigo on line  “Pacientes com cardiopatia passam melhor  quando os médicos saem”  ou “O benefício surpreendente dos Congressos de Cardiologia” motivam  reflexões com visão pela Bioética.  É fundamental procurar entender porque diferenças na composição do atendimento médico causadas pelos afastamentos para Congressos, paradoxalmente, não produziram  esperadas superposições à pior evolução clínica e às demoras no ser atendido, observadas em finais de semana. Continue lendo