67-O paciente partícipe do time multiprofissional e interdisciplinar

teamO princípio da autonomia deve ser observado pelo paciente antes e após a tomada de decisão sobre conduta a lhe ser aplicada.  Quando previamente a mesma, ligado ao processo de deliberação, o objetivo é  compreender e distinguir o que médico fica autorizado e negado a fazer. Resume-se no Consentimento Livre e Esclarecido do paciente, que documenta intenções e ajustes.  Subsequentemente, o princípio da autonomia vincula-se à realização do decidido fazer, admite a renovação e a revogação parcial ou total do Consentimento e sustenta iniciativas de vigilância por parte do paciente.

A voz ativa do paciente é um direito estimulado pela Bioética da Beira do leito. A comunicação que faz expressar que aqui está uma pessoa que deve ser respeitada de modo geral e acolhida em particular em suas apreciações sobre o que acontece contribui sobremaneira para que se preserve o mais adequado nível de harmonia na relação médico-paciente. Ela dá a oportunidade para a franca discussão de contrapontos, assim direcionando para a conformidade entre as pessoas intervenientes. A manifestação sobre divergências com o esperado e sobre insatisfações pelo paciente,  imediatamente vocalizadas, permite esclarecimentos para melhor compreensão dos fatos   correções de desvios de atitude e, inclusive, de protocolos técnicos. Afinal, o paciente internado, por exemplo, está 24 horas testemunhando o que acontece consigo e no ambiente, portanto, mais observador do mundo real do que o médico que passa visita. Evidentemente, muitas atuações da equipe multiprofissional  que cobre as mesmas 24 horas poderão ser mal interpretadas pelo paciente, todavia, observações com razão podem ser de alta influência na satisfação do paciente e na própria evolução clínica. O hábito de o médico indagar do paciente sobre eventuais dissonâncias na sua óptica fora do contexto clínico, durante a visita, por exemplo, é vantajoso para o caso, para a equipe e para a gestão.

O paciente partícipe ativo dos cuidados, vigilante e cooperativo, na medida da sua condição clínica, deve ser visto como possuidor de um envolvimento positivo com os processos diagnósticos e terapêuticos, consciente do empenho do médico e da equipe, ciente das dificuldades,  e mais disposto a entender intercorrências.  Em função deste engajamento favorável na preciosidade da sua saúde, qualquer visão apriorística de que os questionamentos rotulam o paciente como pessoa irritante é contraproducente e eliminadora de contribuições e aprendizados sobre atenção aos melhores  interesses da individualidade de cada paciente.

Em outras palavras, o profissional de saúde que conhece a justeza do que pratica tem que se preocupar em deixar o paciente à vontade para expor os juízos negativos  que  fez de algum membro da equipe porque ele teria desvalorizado a sua capacidade de discernimento, sido desatento ao que ouve, enfim, sobre o que está considerando desrespeito a sua pessoa.

Muitos leitores estão pensando que é evidente que este deve ser o procedimento ético, pois ele assim se comporta. O mundo real, contudo, é diferente. Estatísticas do primeiro mundo com dados obtidos de hospitais bem ranqueados fazem perceber que pelo menos um em quatro pacientes não se sentem tratados como pessoa pelos profissionais de saúde que estão dele cuidando. Continue lendo