33-Doutor! O senhor atendeu minha filha?

Duas adolescentes entram no consultório médico. Elas são amigas. A tem 17 anos e veio dar apoio a B de 15 anos. Consulta pelo convênio. Por coincidência, na saída, uma amiga da mãe de A  estava na sala de espera.   A sequencia foi um telefonema para a mãe de A, que interrogou a filha, indignou-se com a atitude da mesma de ter ido e de não querer contar o que aconteceu e não sossegou enquanto  não  revelou “tudo o que sabia” – na verdade apenas que houvera uma consulta- para a mãe de B, claro, por outra coincidência, frequentadora do mesmo cabelereiro, expressando já de antemão a sua solidariedade com a indignição que certamente a ouvinte teria, porque ela teria – “você não sabe o que eu faria”.

Não há informações sobre o que se passou entre a mãe, o pai e B. Mas pelo tom de voz e pelas palavras ditas ao médico, por telefone, dois dias depois da referida consulta, o ambiente familiar deve ter ficado agitadíssimo. O que se soube foi que o irmão de 18 anos de B, quando percebeu o clima hostil, “lembrou” à irmã que eles tinham uma festa para ir e já estavam atrasados, mas foi em vão. Um “ela não vai lugar nenhum” trancou a porta do apartamento, do elevador e da portaria do edifício, tal foi a sua força de determinação. Vizinhos costumam ter boa acuidade auditiva para certas indiscrições. Continue lendo