156- Comunicação médico-paciente substituída pelo comunicado?

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… Um sistema de mensagens instantâneas, está impondo um novo jeito de interagir entre as pessoas: agora preferem escrever ao invés de falar… O aplicativo também se tornou inclusive o método preferido para comunicar-se com o cônjuge… http://pt.aleteia.org/2015/05/03/como-o-whatsapp-pode-influenciar-a-relacao-de-um-casal/

O Dr. José CRM 123  no chamado Posto de enfermagem confere os prontuários dos seus cinco pacientes internados no andar. Ao término de cada inspeção pega o seu smartphone e manda uma mensagem para o paciente que está a poucos metros dele. A sua última mensagem antes de correr para outro hospital foi: João, leito 35, vc está com o diabete descompensado, aumentei a dose de insulina, os rins pioraram, mudei a dieta, fique em repouso até amanhã, alta suspensa. Dr. José CRM 123.

Impossível dirão os bioamigos em uníssono. Será?

O paciente vai se sentir desrespeitado. Será?

Relações médico-paciente começam a incluir gerações educadas e usuárias da linguagem de computador. Médicos inteiram-se de novidades científicas acessando sites confiáveis mas que reduzem a extensão da informação e a iniciativa pelo acesso às fontes de publicação dos autores.

É fato que ocorre um efeito de reducionismo dos detalhes agravado pelo tamanho da telinha que em nada estimula uma longa continuidade de atenção ledora. Costumes de curta duração na leitura desembocam na brevidade da fala interpessoal. Simples! Atrofia-se a língua- nos sentidos anatômico e idiomático-, muscula-se a mão, cansa-se a visão. Pelo que se depreende na observação de novas relações interpessoais (figura), logo precisaremos achar novos sentidos para o fato de a criança primeiro aprender a falar e depois a ler e escrever.

Mas, como sempre, há o outro lado da moeda, o otimismo que vantagens acontecerão. O distanciamento pessoal médico-paciente das mais de 23 horas  quando o paciente está internado  e se passa uma visita diária, por exemplo, é substituído pela proximidade eletrônica 24 horas ligada.

O paciente começa a introjetar o direito de mandar uma mensagem para o médico a qualquer momento que entenda necessário: Doutor, comecei a sentir novamente aquele incômodo. Saíram umas manchinhas, envio o vídeo. O aplicativo de mensagem como alongamento da visita diária. O smartphone como extensão do prontuário eletrônico. Mais  aprofundamento do sigilo médico na seara da cibersegurança.articulo_1_1

Relação médico-paciente tenderá a ser referida como Conexão médico-paciente. Nada mal ter o médico no bolso. Para o paciente… sem dúvida.

A Bioética da Beira do leito percebe que a comunicação via aplicativo de mensagem eleva a atenção para ouvir o paciente. É efeito antigo do telefone, do tempo em que ele servia tão-somente para falar e ouvir à distância. O  toque trilililim do aparelho fixo já nasceu com o poder de provocar a urgência do Quem será? O que será? no atendimento.

Muitos já devem ter tido a experiência de se aproximar de alguém que está sozinho no corredor para lhe perguntar algo e, ao iniciar a questão, o celular dele toca. A quem ele dará prioridade de atenção? Sem dúvida a atender a ligação, salvo, claro, quando a hierarquia funcional fala mais alto, literalmente.

O estetoscópio ampliou a qualidade da inter-comunicação sonora não verbal entre médico e paciente. O aproveitamento da melhor propagação do som via sólidos. Duzentos anos depois, aplicativos eletrônicos de mensagem colocam outro tipo de som “via sólidos” entre o médico e o paciente: o tom anunciador que uma mensagem chegou. E mais, a existência de um código que confirma que a mensagem foi lida (quadro), impedindo qualquer alegação em contrário.images

A conexão médico-paciente eletrônica traz economia de dinheiro, economia de tempo, economia de comunicação. Ademais, facilidade de trânsito e de disponibilidade. Obedece à recomendação de “tudo ficar registrado por escrito”. Defesa para o médico.

A Bioética da Beira do leito prevê que  a próxima atualização do Código de Ética Médica incluirá algum artigo a respeito. Pois, pelo andar da carruagem, não responder a mensagem do paciente internado sob seus cuidados relatando  um  fato clínico poderá ganhar interpretações de negligência por parte do médico “desconectado”.

Comunica…ação!

 Tecnologia e inovação!

Liberalidade para o comunicado!

Adequado? Inadequado? O blog Bioamigo lançará uma enquete a respeito em breve. Participem!

 

 

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